Para Al…
Não se preocupe com rejeições, parceiro,
eu já fui rejeitado
antes.
algumas vezes você comete um erro, pegando
o poema errado
o mais comum para mim é cometer o erro de
escrevê-lo.
mas eu gosto de uma montaria em cada corrida
mesmo que o homem
que organiza a largada da manhã
a coloque pagando 30 por um.
tenho que pensar na morte mais e mais
senilidade
muletas
poltronas
escrevendo poesia púrpura com a
caneta pingando
quando mocinhas com bocas
de piranha
corpos como limoeiros
corpos como nuvens
corpos como flashes de luz
pararem de bater à minha porta.
não se preocupe com rejeições, parceiro.
fumei 25 cigarros esta noite
e você sabe sobre a cerveja.
o telefone tocou apenas uma vez:
era engano.
Charles Bukowski, do poema “para Al…”, no livro “O amor é um cão dos diabos” (L&PM), pg. 89.
Gostaria agora de estar completamente embriagada, dar de ombros e seguir os conselhoes de Baudelaire e seguir dizendo: embriagai-vos!- de tudo! Deixar que o memento do pretérito tomasse conta de meu ser, completamente, me deixasse sem atitude, ou melhor, que fosse minha atitude, para assim poder me esvaziar de tudo aquilo que me recorda o vazio do não ter.
Era engano! Não se preocupe parceiro, as migalhas de felicidade dos instantes colecionados fazem o tempo oxidar, junto às suas feridas. Não se preocupe parceiro, somos irmãos da mesma dor, compartilhamos o sentimento da frustraçao que nos deixa ávidos a sermos inertes ao amor. Não se preocupe parceiro, não desmitificaremos o amor. Não se preocupe parceiro, quem está do outro lado da corda continuará por lá, feliz ou infelizmente. Não se preocupe parceiro, as horas de reclusão romperá seus dias e te deixarão completamente embriagado, sem a ingestão de uma gota de álccol e as coisas parecerão foras de foco, nada mais real existe.
Era engano! Se preocupe parceiro, com os sinais a decifrar, com a sua neura, com sua lágrima que não você não quer deixar sair.
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