sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Às vezes um cliché pede pra ser dito

Minha vó sobre o meu vô diz: "Depois de algum tempo, não tem beijos e muito menos sexo. O que sobra é o companheirismo, alguém do seu lado que ouve suas reclamações e que até reclama ao seu lado, mais do que você inclusive. Alguém que pega seu dinheiro sem dar satisfações, até porque você nem precisa mais de satisfações e você também sabe onde está o dinheiro e tem a liberdade de pegar o quanto quiser pra pagar por um sorvete ou uma geladeira nova. Depois de tanta coisa que os dois viram, cerimônias não existem mais, fala-se tudo na cara. - Você vai vestida assim?; Cadê minha camisa?; Espera que eu tô falando!; Voce vai comprar o de limão? Eu não gosto de limão, você sabe. Prefiro o de maracujá!; Seu cabelo tá ridículo!; Tô com sono, vamos embora?; Pode falar, eu tô no banheiro cagando, mas tô te ouvindo - e por aí se vão. É a mania de limpeza que não irrita mais, o arroz quimado que é divino, o molho branco super salgado que é perfeito, as roupas com manchas estranhas que são limpas sem problemas, falar da nova loira do tcham que é mais gostosa que a antiga ou falar que o Antônio Fagundes é um pão não afeta nem um pouco o longo relacionamento . No final, minha neta, hormônios sobem, hormônios descem, crises econômicas, pessoais, mundias vão e vem, mas o dinheiro da aposentadoria é meticulosamente separado pra uma viagem no final do ano pra Caldas Novas, pra ficarmos juntos, com alguns outros queridos também, mesmo sem sexo, mas com carinho, muito carinho e amizade."
Eu sobre a Flor digo: Quando a gente se tornou um casal?