segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dessine-moi

O de sempre?

Enquanto isso, nos palácios, eles cuidam de como o mundo andará, do que será das crises, dos empregos; alguma coisa acontecerá, e isto é mais certo que tudo. O de sempre.

Quer saber? Deixa como está para ver como é que fica. Os economistas dão conta da macro-econômica, os políticos encontram uma saída geo-política, os generais sabem dar ordens, os sacerdotes celebram cultos, as torcidas gritam gol, os filhos o seu dinheiro, e ela estará ali caso você precise.

O de sempre!

Que bobagem! Todo mundo sabe que o mundo tem governo e que o governo do mundo é a economia de mercado do mundo; e ela sabe disso, que você é a economia do mercado dela.

O de sempre.

Pior cego é aquele que quer ver. Pense nisto. Posso repetir?

Pior cego é aquele que quer ver!

O de sempre.

E de mais a mais, você sabe: o que será de sua velhice? Quem cuidará de você? De seu reumatismo, de sua úlcera? De sua solidão?

Quando a noite de hoje, a dos domingos, chegar, eleve suas mãos aos céus, mesmo que você não seja assim tão crente, porque de céu você entende.

O de sempre!

Lembre-se: filosofia é muito legal, poesia também, música então nem se fala, mas não são nada práticas, não servem para o porque, manda é a economia de mercado e de mercadinho. Isso que importa: enquanto você mantiver a portinha da quitanda aberta, tudo estará debaixo de suas asas, de uma forma ou de outra. Ninguém é burro. Fique tranquilo.

O de sempre!

Então, em homenagem a esse domingo de mercados cheios de graça, aqui vai uma crônica para festejar:

Era uma vez alguém que dizia amar alguém loucamente. E repetia:

- Eu te amo, mas…

Gostou?

Não vem bem a calhar?

São as melhores crônicas de domingo, as que começam assim e terminam assim:

- Eu te amo, mas…

Para sempre!

Quanto ao amor?

Ah! Que bobagem, porque o pior cego…

Mas, se apesar de tudo, apesar de tudo mesmo, você, que está indignado e sente-se, digamos, difamado (grifo meu, obviamente) com tudo isto e discorda, veementemente, do que falei (ou disse), então, meu caro, sua situação é um tanto desesperadora.

E, cá entre nós, sabemos bem o por que! Você e eu! E, neste caso, lembre-se bem que nossos domingos são crônicos, porque levianos.

Em nosso caso, meu caro, nossa crônica de domingo crônico é a seguinte:

Era uma vez alguém que acreditava no amor, loucamente, e dizia assim:

- Mas eu te amo…

Não vem mal a calhar? Descrer no amor. Então, dar de ombros e seguir dizendo, como se fosse um eco de si mesmo, porque ninguém estuca, ninguém escuta, estuca e escuta, ninguém mesmo:

- Mas eu te amava… poxa!

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